Vale ou não vale

A Companhia Vale do Rio Doce lançou no inicio da tarde desta quinta-feira (29/11) a nova logomarca da mineradora. A partir de agora, a empresa será conhecida só como Vale. A nova identidade foi lançada em cerimônia para gestores internacionais da companhia no Forte de Copacabana, em Copacana, Zona Sul do Rio. O presidente da mineradora, Roger Agnelli, disse que o momento é “extremamente oportuno” para essa nova visão da Vale.”Um evento como esse permite a gente sonhar. É um compromisso nosso de nos tornarmos a maior e melhor mineradora do mundo”, disse Agnelli à platéia. No mercado, comenta-se que o lançamento da nova marca, a cargo da agência Africa (é assim mesmo, sem acento, em português ruim, mas você é obrigado a ler corretamente, como se acento houvesse e fosse escrito em português corrente) custou aos cofres da companhia nada menos que U$ 50 milhões em desenvolvimento e divulgação mídia. Ocorre que a aclamada logo, além de apresentar desenho óbvio e traços sem personalidade, é exatamente idêntica à logo de uma fábrica de sapatos e sua apresentação gráfica é muito próxima da já utilizada por um banco. Ou seja, essa foi a “chupada” mais cara da história da propaganda mundial. É bem Brasil isso…

17 comentários

  1. A inspiração deve ter sido um chapéu de aniversário infantil esquecido sobre a mesa, com o bico para baixo. Aí o gênio da criação pensou: “Eureka!”. Já que somos todos infantes diante do poder gigante do monstro que nos traga o subsolo e nos deixa como herança doença, buraco e lama, foi uma inspiração profundamente adequada. Quanto às semelhanças, são inquestionáveis. Com a palavra, a buracaria do Rio Doce.

    Carlos Dias da Costa, geólogo.

  2. Que borrão caro, ein!!! E pelo reclame, “foi o que o povo brasieleiro escolheu”.

  3. Boa noite, Chico.

    Não Resisto. Tirando a “chupada”.. rsrs(perdoa-me, mas adoro brincar), você já percebeu que o “V” está na moda? Então, ViVa a Vanguarda. Ela Vale! O resto é Bem Brasil!

    Beijos.

    *Adorei o post sobre Santarém. Aproveite e mande para um sítio português(vou pegar o endereço certo).

    🙂

  4. Deu no G1: A Vilage Marcas e Patentes, empresa responsável pelo registro da logomarca da empresa de calçados Vitelli, de Franca (SP), informou nesta quarta-feira (5) que vai processar a Vale do Rio Doce por conta da semelhança entre as duas marcas, apesar de as duas empresas atuarem em ramos distintos. A empresa informou que “tomará as devidas providências no âmbito judicial em relação a semelhança das logomarcas”. De acordo com a nota, a logomarca da Vitelli foi requerida em 04 de dezembro de 2002, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Entretanto, a empresa ainda não tem o registro da marca, segundo a base de dados do INPI. O pedido tem uma oposição de uma outra companhia que também quer usar o nome Vitelli, informou o instituto. Segundo pesquisa divulgada hoje pela consultoria Interbrand, a Vale do Rio Doce tem a sétima marca mais valorizada do país. Para o lançamento da nova identidade visual, a empresa gastou US$ 50 milhões. A Vitelli disse à reportagem do G1 que não se pronunciaria diretamente sobre a questão. A empresa citou o comunicado da Vilage como sua posição. Em outras palavras: vai dar merda.

    Cláudio Ferraz

  5. Ainda no G1: a diretora de comunicação da Vale, Olinta Cardoso, disse que as duas marcas não podem ser consideradas iguais. Ela garante, por exemplo, que a fonte usada para escrever o nome Vale na nova marca da empresa foi criada especialmente para a empresa. Segundo a diretora, as semelhanças não vão acarretar qualquer problema para a empresa, uma vez que o INPI apenas proíbe que marcas semelhantes sejam usadas somente no mesmo setor. Olinta afirma que existem inclusive outras empresas com o nome Vale no mundo. “Nem o logo nem o nome são exclusividade nossa. Ninguém vai confundir as duas empresas”, diz. Não é apenas uma “chupada” de 50 milhões de dólares. É uma cagada da mesma dimensão.

    Cláudio Ferraz

  6. Vera, foi o povo dos Esatdos Unidos quem fez. Essa marca foi criada por uma empresa norte-americana, terceirizada pela agência Africa (sic).

    Cris,

    Gostei muito do link e de seu comentário. E obrigado pelo “V” em várias variáveis. Gosto do símbolo que ele forma, do equilíbrio instável que ele tem e da possibilidade de tornar-se um gesto. Não gosto, contudo, da forma como o “V” foi resolVido na marca da Vale. É primária e, o que é pior, tem conotações negativas ao lembrar o “buraco”, para usar a expressão do Carlos Dias, que a Vale deixa no Pará. Volte sempre, Cris.

    Cláudio Ferraz, grato pela contribuição. A opinião da assessora de comunicação da Vale é “fofa”, mas totalmente fora de eixo. Mas valeria se a Vale fizesse um grande (imenso!) concurso nacional para a escolha de sua marca, recebendo contribuições de todo o Brasil. Se Brasília foi feita assim, através de escolha pública, porque não a marca de uma empresa que se quer “popular”?

  7. Boa tarde, Chico.

    O sítio português faz duras críticas quando tenta comparar Santarém/África/Europa. Impossível. A matéria foi divulgada no jornal O Liberal e o Yúdice fez um post sobre o assunto(nov). Deixei comentário lá. Por isso, a importância de ser enviada esta informação para eles.

    Beijos.

  8. Cris,

    fiz isso, por isso disse a vc que gostei do link. Mandei para O Expresso o post e mais links sobre STM. O preconceito da matéria é evidente, além de uma abordagem superficial sobre tudo. Qualquer comparação direta entre uma cidade que tem 300 anos e está encravada na Amazônia e outra que está na Europa e tem quase mil anos é fútil, para dizer o mínimo. A prefeitura de STM está buscando estreitar os laços com a Comuna de Santarém de Portugal, que agora é dirigida pelo Bloco de Esquerda.

    Bjs
    Chico.

  9. Chico,
    O senhor esqueceu de comentar o degradée…

  10. A marca deve ser vista da seguinte forma:
    1º Forma um V
    2º É um vale, ou seja a forma das minas escavadas pela antiga CVRD
    3º As cores podem ser parecidas ou as mesmas de outras marcas (nesse caso ABN AMRO Real), pois os ramos são diferentes.

    Pior são os casos de má intenção como os postos 13R que se parecem muito com BR e mantém as mesmas cores.

    Achei criativa

  11. Boa resenha está dando esta postagem. Acho até interessante levantar lebres como essa. Acho ainda, que é um assunto muitíssimo delicado, apesar das coincidências. Isso aconteceu com um renomado designer brasileiro lá pelos idos de 1983 e está relatado em uma edição (me perdoem, não sei qual) da revista About. Nele, o designer descreve que ao assistir o filme “Blade Runner” se depara com uma logomarca “idêntica” a uma que ele havia criado pra um lançamento imobiliário grandioso. E vejam bem: não havia internet naquela época.
    Pois bem, existem diversas formas, elementos e idéias no nosso inconsciente e vá l-a saber onde vimos essa ou aquela logomarca? ão estou aqui defendendo, de forma alguma, os autores da nova logo da VLDR mas tb acho que os criadores da marca devem ter seus direitos intelectuais reconhecidos. Parbéns ao blog e seus autores.

  12. Desculpe, quis dizer que os autores da marca Vitelli devem ter seus direitos intelectuais
    reconhecidos.

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