Casa de ferreiro, espeto de ferro mesmo

Logotipo é um termo corretamente utilizado para as marcas que possuem apenas uma caracterização especifica com o uso de letras. Como o logotipo da Microsoft, por exemplo. É apenas um conjunto de letras, com detalhe quase imperceptível, que caracteriza a marca da empresa. Já uma logomarca, possui em seu conjunto, além das letras (caracterizadas ou não), desenhos, símbolos, imagens ou sinais. É o conjunto responsável pela identidade existente entre a empresa, produto e consumidor. Logotipo, ou logótipo refere-se à forma particular como o nome da marca é representado graficamente, pela escolha ou desenho de uma tipografia. A logomarca pode ser o nome da empresa ou produto, escrito de forma não convencional. Pode ser um ícone ou imagem trabalhada em formas e cores que passem a idéia que a marca pretende fixar junto a seu público. Fontes e cores que fujam do lugar comum podem, às vezes, ser suficientes para transformar uma idéia um logotipo, apelidado de “logo”. Entretanto, nem sempre a grafia, por mais criativa que seja, basta para identificar com singularidade a empresa ou o produto. Muitas vezes é necessário associá-la a uma imagem ou símbolo, sinal ou desenho gráfico. È a essa associação que dá-se o nome de logomarca. Em todo o mundo, empresas envolvidas com produtos ou serviços, buscam no logotipo a síntese de sua filosofia. Seja um logotipo ou logomarca, ambos podem ser classificados com a “marca” da empresa e o alvo a ser atingido é o mesmo. Agências de propaganda trabalham com marcas e muitas criam e administram marcas, mas raramente dedicam-se a ter, para si, uma logomarca que realmente faça sentido. Em 1992, quando a Vanguarda foi criada, a tipologia escolhida era colocada dentro de uma bandeira estilizada, com o “R” invertido que simbolizava a nossa trajetória “contra a corrente”. Em 1997 criei um “V” estilizado, composto por uma elipse incompleta (que simboliza o eterno trabalho a completar sobre o qual se debruça a comunicação). Essa logo, rabiscada a lápis por mim, foi finalizada pelo diretor de arte Ailton Shigueo, hoje na Euro RSCG, de São Paulo. O “V” encimava as palavras “Vanguarda Propaganda” em Franklin Gothic Condensed. Ano passado eu quis unir a marca com a logotipia, ou seja, transformei o símbolo em letra que se integrava à palavra. O resultado é a nova marca da Vanguarda, que preserva o vermelho e branco e permite uma leitura fácil da palavra, ao mesmo tempo em que a distingue pelas características únicas da tipologia, cujo desenho e inclinação foram adaptados ao “V”, para não mudá-lo.

4 comentários

  1. Boa noite, Chico. Eu já votei. Obrigada. Gostei muito deste post. Uma verdadeira aula. Parabéns.

    Um beijo!

  2. Sempre gostei da marca da “Vanguarda”, inconfundível. E sempre pensei na falta de imaginação de grandes agências, como a Mendes, que sequer alterou um único traço em uma tipologia batida com a qual escreve o nome. O “redesenho” da marca foi perfeito, incorporando o símbolo de maneira objetiva, fazendo com que as letras se integrem a ele. Parabéns.

    Dulce Freitas.

  3. Eu pensei que o “V” da Vanguarda era uma “foice e martelo” estilizada. Sinceramente. Ouvi isso na faculdade e achei que fazia sentido.

  4. Dulce, obrigado pelo elogio, mas, sinceramente, eu gosto da marca da Mendes. Acho que ela demonstra solidez e tradição, utilizando um typewiter clássico em cor moderna, bordeaux. Mostra o espírito de uma época. Não aprecio essa competição cega entre as agências nem o “eu sou melhor”. Acho que as agências, pelo perfil de seus criadores, adotam comportamentos diferentes e abordagens criativas distintas, que as diferencia. E só. Eu quis que a nossa logo dissesse algo de nós e consegui. Oswaldo Mendes quis o mesmo e conseguiu.

    Anônimo das 21:20, meu amigo Stéfani Henrique foi o primeiro a me mostrar semelhanças entre a marca da Vanguarda e o símbolo do comunismo, que retrata a unidade dos trabalhadores do campo e da cidade. Lembra, sim. Mas foi puro ato-falho.

    Obrigado pela presença de vocês.

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